Livros

Ler, ler, ler, viver a vida que outros sonharam

Magra e Poderosa

| 0 comentários

MAGRA E PODEROSA
Autor: BARNOUIN, KIM
Autor: FREEDMAN, RORY
Editora: INTRINSECA
Assunto: MEDICINA E SAUDE-DIETAS
ISBN: 8598078212
ISBN-13: 9788598078212
Brochura
1ª Edição – 2007
Livro com 189 páginas

=====

Leiaesse ótimo post sobre o livro aqui: http://oicult.blogspot.com/2007/12/magra-e-poderosa-apenas-isso-que.html

=====

“Magra e Poderosa”: é apenas isso que desejamos?

Estava passando os olhos na revista que vem todo domingo no jornal O Globo quando me deparei com uma reportagem com o seguinte título: “O pulo da gata: saiba como um livro de dieta disparou da posição 77.938 para o primeiro lugar na lista dos mais vendidos nos Estados Unidos”, escrita por Isabel Caban, cuja foto principal era da ex-integrante do grupo Spice Girls, Victoria Beckham, que possui 1,63 de altura e cerca de 45 Kg, em uma livraria com o livro em mãos.
Assim começava a reportagem:“Aconteceu em maio deste ano, nos Estados Unidos: um livro de dieta lançado em 2005 e que ocupava a posição 77.938 na lista dos mais vendidos naquele país pulou para o primeiro lugar por causa de uma única foto publicada na imprensa. O crescimento registrado nas vendas foi de 37.000% (sim, com todos esses zeros). A foto era de Victoria Beckham e o livro, chamado “Skinny bitch” – atualmente o terceiro na relação publicada semanalmente pelo jornal “The New York Times” (…)”Inocentemente, pensei que a reportagem mostraria como esta foto foi um mecanismo usado para aumentar a vendagem do livro. Porém, ao ler a reportagem percebi que ela nada mais era do que mais uma jogada de marketing para vender o livro no Brasil, já que seria aqui lançado na quarta-feira (21/11/2007) pela editora Intrínseca, com o título Magra & Poderosa.
A reportagem mostra como o livro (escrito por Rory Freedman, agente de modelos, e Kim Barnouin, ex-modelo) possui uma proposta radical que pode ser percebida a partir de alguns trechos nela destacados:“(…) torne-se vegetariana para ser saudável, magra e ‘colocar um biquíni cavado para rebolar como se fosse a rainha da cocada preta’.”

“De nada adianta ser uma porca gorda. Beber álcool sempre = síndrome da porca inchada”.

“Se você acha que a dieta do dr. Atkins irá fazê-la emagrecer é porque é uma total idiota”.

Embora cite todos esses trechos absurdos, a reportagem recorre a dois recursos muito utilizados pela mídia para legitimar suas mensagens: busca a opinião de um especialista e pesquisas científicas. A nutricionista Adriana Bassoul, que acompanhou a tradução do livro, deu a seguinte declaração: “Me assustei quando comecei a leitura, mas rapidamente entendi que a intenção é dar uma sacudida”. Além disso, as autoras teriam recorrido a inúmeras pesquisas – mas, curiosamente, não há referência concreta a nenhuma delas – até chegarem à conclusão de que se deve parar de comer qualquer carne animal para se alcançar o tão desejado corpo magro.

O vegetarianismo é uma filosofia de vida que entende o consumo de alimentos de origem animal como uma prática desnecessária, que prejudica a saúde humana, o meio ambiente e a sociedade. Os animais são capazes de sentir amor, dor, medo e solidão. Desse modo, a maneira como são criados não atende às suas mais básicas necessidades e são mortos de forma bastante cruel, pois não há como matar um animal de forma “humanitária”. O livro “Magra & Poderosa” esvazia o real sentido do vegetarianismo, reduzindo-o a um único objetivo: deixe de comer qualquer tipo de carne animal para obter um corpo magro e belo.
Além de fazer propaganda do livro, a reportagem traz um box com endereços de locais onde se pode encontrar comidas destinadas aos futuros adeptos da dieta contida em “Magra & Poderosa”, com o seguinte título: “Roteiro orgânico: onde comer o que se deve”, que consiste não apenas em uma simples dica, mas também em uma ordem.
A reportagem me fez pensar também no atual culto a um corpo magro e livre de qualquer tipo de gordura. Dando uma rápida observada em bancas de jornal e guichês de supermercados, podemos ver uma série de revistas dedicadas à obtenção do corpo escultural. Duas dessas revistas me chamaram muito a atenção por algumas semelhanças que possuem com o livro em questão: Boa Forma, da Editora Abril e Corpo a Corpo, da Editora Símbolo.
Ambas as revistas, assim como o livro, trazem implícita ou explicitamente a idéia de que ser magro é uma obrigação e a chave para o sucesso, que virou, em nossa atual sociedade, sinônimo de felicidade. Transmite-se a idéia de que se você não possui um corpo magro é porque você não quer, pois eles te trazem os segredos para isso, você é que não tem força de vontade e determinação suficiente e, portanto, é um fracassado.
O livro Magra & Poderosa se beneficiou da foto da magérrima Victoria Beckham segurando um de seus exemplares para alavancar suas vendas. Já as revistas utilizam um outro mecanismo para isso: trazem em suas capas atrizes sem nenhum vestígio de gordura, quase sempre vestindo apenas um biquíni, deixando para o consumidor a sensação de que se ele comprar a revista e seguir seus conselhos também alcançará aquele corpo. Em seu interior, as revistas contem dicas de boa alimentação, tratamentos de beleza, dietas que prometem fazer milagres em semanas e uma reportagem com a atriz da capa, na qual, a mesma apresenta seus “truques de beleza” e exibe suas medidas: altura, peso e medidas dos quadris, busto e cintura, como sendo o padrão ideal a ser alcançado.
É curioso pensarmos como é possível que num mundo onde milhares de pessoas morrem de fome haja tamanha preocupação com a busca da magreza. Como é possível a correlação entre ser magro e ser poderoso. O que é mais uma coisa curiosa: a aparência como uma moeda de troca, como a chave para se alcançar o sucesso e a felicidade. Será que devemos nos deixar seduzir por essas mensagens canalizando nossas energias na diminuição das calorias de nossas refeições para que sejamos magros, belos, poderosos e aceitos socialmente, ou devemos direcioná-las para a busca de um mundo mais justo e humano, onde todos possam viver com dignidade? A escolha somos nós que devemos fazer…Ano 4, número 173, 18 de novembro de 2007.
Fonte:
Compartilhe
  • Print
  • Digg
  • Facebook
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • MySpace
  • PDF
  • Posterous
  • RSS
  • Technorati
  • Tumblr
  • Bitacoras.com
  • email
  • Google Buzz
  • LinkedIn
  • Orkut

Deixe uma resposta

Campos requeridos estão marcados *.