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O Cinema Pensa

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Livro: O CINEMA PENSA
Sub Titulo: Uma introdução à filosofia através dos filmes
Autor: Julio Cabrera
Tradução:Ryta Vinagre
ISBN:85-325-2023-5
Páginas:400

Para Julio Cabrera, grandes diretores de cinema como Ingmar Bergman, Alain Resnais, Stanley Kubrick ou mesmo Steven Spielberg não são apenas cineastas, são filósofos. No livro O cinema pensa, o autor defende sua teoria de que os filmes, mais do que experiências estéticas ou produtos de lazer para as massas, são conceitos-imagem, ferramentas poderosas para a exposição e a discussão de questões caras à humanidade. Seguindo esse raciocínio, Cabrera discute Roman Polanski com base em Santo Tomás de Aquino, compara Michelangelo Antonioni a Descartes, analisa Wim Wenders sob a ótica de Hegel e estabelece um paralelo entre Nietzsche e Oliver Stone, por exemplo.

Uma coisa é um filósofo escrever um tratado sobre o crescente aumento da vigilância e da militarização na sociedade moderna; outra, bem diferente, é o cineasta Terry Gillian realizar Brazil, o filme, em que ele projeta o quão insuportável seria viver num país onde não houvesse liberdade, privacidade nem individualidade. Cabrera acredita que os conceitos-imagem do cinema têm um alcance muito maior e um efeito bem mais imediato que os conceitos-idéia dos filósofos tradicionais. Mas o autor não cai na armadilha de usar os filmes para ilustrar as teorias dos grandes pensadores. Ele dá igual tratamento a filósofos e cineastas, sem preconceitos.

Cada capítulo do livro é dedicado a um tema, analisado sob o ponto de vista de um grande filósofo e de três ou quatro filmes consagrados. O capítulo 5, por exemplo, chama-se “Descartes e os fotógrafos indiscretos (A dúvida e o problema do conhecimento)”. No ensaio, Cabrera lembra que o filósofo francês aconselhava as pessoas a questionar todo o conhecimento herdado da família, dos professores e dos livros, partindo do princípio de que tudo pode ser diferente do que parece ser ou do que dizem ser, incentivando cada um a chegar às suas próprias conclusões a respeito de todas as coisas. Expostas as idéias de Descartes, o autor reflete sobre o filme Blow-up – Depois daquele beijo, de Michelangelo Antonioni, protagonizado por um fotógrafo que é levado a duvidar de tudo o que parece real e a considerar tudo o que parece irreal. Já o fotógrafo de Janela indiscreta, de Alfred Hitchcock, ignora os princípios cartesianos para conseguir capturar um assassino.

Cabrera discute o valor da vida com base em Schopenhauer, Luis Buñuel e Frank Capra. Para falar da relação entre política e pensamento, ele invoca Karl Marx, Costa-Gavras e o Oliver Stone de JFK – A pergunta que não quer calar. As fragilidades da cadeia casual são expostas através da análise de filmes como Pulp fiction – Tempo de violência, de Quentin Tarantino, e Não matarás, de Krystof Kieslowski, em contraposição às teorias de Locke e Hume. Kant dialoga com o Peter Weir de Sociedade dos poetas mortos e o Fred Zinnemann de O homem que não vendeu sua alma, quando o assunto é liberdade. Hegel joga luz sobre os conceitos-imagem de Paris, Texas, de Wim Wenders, Império do Sol, de Steven Spielberg, O turista acidental, de Lawrence Kasdan, e Hiroshima meu amor, de Alain Resnais. Cabrera também disseca os filmes de Clint Eastwood, Lindsay Anderson, Ridley Scott, Ingmar Bergman, Frank Darabont, Roman Polanski e tantos outros, além de discutir o pensamento de Nietzsche, Heidegger, Wittgenstein, Bacon, Aristóteles, Platão e Sartre.

Se a filosofia se deixa atingir por tudo o que o homem faz e se ela se redefiniu com o surgimento do mito, da religião, da ciência, da política e da tecnologia, por que não seria assim com a arte e, mais especificamente, a arte cinematográfica? Com O cinema pensa, Cabrera insere a filosofia na cultura contemporânea para discutir temas universais sob uma ótica atual.

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