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Ler, ler, ler, viver a vida que outros sonharam

tiranias

| 9 Comentários

porquecomemos.jpgEssa semana eu li esse livro. Porque comemos tanto. De Brian Wasnick. É bem mais interessante do que eu esperava, foge do muito óbvio no assunto comer. Eu até posso (e vou) falar um pouco mais sobre ele em outra ocasião, mas agora preciso dizer sobre algo que acontecia comigo e que este livro nomeou. E ao nomear, clarificou muito a coisa. Porque a gente sabe que as coisas sem nome ás vezes são invisíveis, mas às vezes têm um poder muito grande. Um poder mais fluido, mais insidioso.

Pois bem, ao ler este livro, bem lá nos finalmentes ele fala de um fato que chama de “a tirania do momento”. Que seria o seguinte, nas palavras do autor:

“podemos nos comprometer a fazer uma pequena mudança na vida, como não fazer comer doces antes do jantar. Podemos anotá-la, fazer o sinal da cruz sobre o coração em juramento e anunciá-la a todo mundo. Podemos estar falando sério, de verdade. Mas avancemos dois dias. Foi um dia frenético no trabalho, você ficou 45 minutos preso no trânsito antes de chegar em casa, está exausto e sabe que tem uma barra de chocolate no canto esquerdo da porta da geladeira esperando você. É fácil quebrar seu juramento, afinal de contas hoje é uma exceção – foi um dia difícil e, para falar a verdade, você não comeu muito bem no café da manhã. Seu plano de alimentação consciente acaba de ser frustrado pela tirania do momento. e o momento – exatamente esse momento, excepcional – ganha forma tirânica e constante.”

Eu já tinha percebido que isso acontece muito comigo. Eu vivo permanentemente sob um estado de exceção. Pois o meu trabalho não tem horário, não tem local definido, não tem constância absolutamente nenhuma – a não ser no aborrecimento diário. (Meu trabalho é um excelente trabalho, disputado no último concurso por mais ou menos uns 30.000 advogados. Mas é altamente estressante.)

Eu não tenho rotina nenhuma no meu trabalho, nada é certo e os dias todos são muito desgastantes emocionalmente. Eu sei que isso não é privilégio meu, e que ter um trabalho agradável é uma dádiva, não é o que acontece com todo mundo. Pelo contrário. Mas o meu tem a peculiaridade de não ter nenhuma rotina pré estabelecida. De não ter sequer um local predefinido. E de não ter nenhum ponto de pausa. O quê, combinado com minha personalidade altamente indisciplinada é arruinante. E me faz viver em permanente estado de exceção. O que não é bom, a gente vê os jornais e sabe que estado de exceção é uma merda. Nem tem muito tempo que saímos de um. E outro estado de exceção marcou a humanidade pra sempre.

Tá legal, eu sou exagerada mesmo. Se não fosse não pesaria o que peso. Mas a comparação é só pra mostrar o estrago que a falta de rotina – ou para ser mais exata – a falta de planejamento e mais uma vez a preguiça fazem na minha vida.

A segunda é uma exceção. A terça e a quarta também. A quinta idem. A sexta, bem, é sexta né? E no sábado e no domingo eu tô cansada demais, desgastada demais e com as baterias mentais pifando pra me preocupar em comer menos calorias. Vivo num estado de exceção. E a tirania do momento se instala. Eu viro escrava. E escrava, prisioneira é como me sinto. Mas reparem que foi uma prisão que eu cavei com minhas lindas e gordas mãozinhas. Que não eram tão gordinhas.

Daí que lendo esse livro eu pude ao menos nomear a coisa. Tirania do momento. Tão f*%d@ como a tirania dos fracos. E percebo que é preciso aceitar que minha rotina é a exceção e que os momentos na verdade não são momentos, são os meus dias. Que se transformam em semanas, meses, que se transforma em anos.

Não dá mais pra fingir que tá tudo bem. Não está. E daqui a pouco pode ser muito tarde pra um monte de coisas. Que infelizmente, e à parte todas as críticas que possa ter a esse modelo que nos obriga a querer secar toda corpo todo vestígio de gordura, é mais real que o rei. E me subjuga também, produto do meio, da cultura e de tudo isso aí que também sou.

O autor até aponta solução para escapar desta armadilha, mas disso eu falo depois.

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9 Comments

  1. Nalu, sei muito bem o que você fala sobre o trabalho ser um estado de exceção. Acho que isso atinge praticamente toda a área jurídica. Eu optei por não advogar, e ficar “apenas” na academia, porque vi meus colegas enlouquecendo na rotina dos escritórios. Mas mesmo a sala de aula tem seus momentos de exceção, e é difícil a gente se conscientizar de que está sucumbindo ao estresse.

  2. Você já ouviu a música “fome come”, do palavra cantada? Menina, coloquei o dvd ontem pra Joana e quando chegou nessa música me assustei, parece que fizeram pra mim…
    Eu tô assim. Encontrando “mensagens” e motivos pra reflexão até em música infantil.
    beijos

  3. Ai Nalu, fiquei louca pra ler este livro. Eu tbém vivo nas excessões. Q coisa.. bjs

  4. Nalu, vc tem toda razão. É mais fácil seguir uma rotina alimentar quando se tem uma rotina definida no dia a dia. Esse feriado eu dei um chutão no balde e comi doce de leite,pão e batata frita, coisa que não como nem em sonho num dia normal!
    Agora chega que meus coments ficam quase maiores que seus posts!! rs
    beijo!!

  5. Nalu, eu estou acompanhando o teu blog quietinha… porque vou precisar muito dele daqui uns seis meses… estou só aprendendo!

    Beijos

  6. Nalu, tenho lido aqui também ,estou na mesma questão de emagrecimento, embora a jornada não seja a mesma (tenho 12 quilos para emagrecer).
    Sabe, honestamente, eu já vivi muitos estados de EXCEÇÃO. Percebi, talvez porque “quase” morri duas vezes e porque morri mais duas vezes quando meu pai e minha mãe morreram, que a vida é agora e que quem a faz somos nós. Exatamente está aí a dificuldade. A gente não tem a quem culpar. Colocamos a culpa em tudo , mas a frustração sempre chega porque a ingerência é nossa.
    Sou determinada, embora às vezes demore para tomar as decisões.

  7. E percebo o quanto somos livres. Tudo parece impossível , mas a caminhada é passo a apasso. Somos nós que decidimos, por exemplo, o milk shake d ehoje ou não. Os 20 copos de água, os oito ou nenhum. Talvez a odisséia humana seja estar consciente. Sabe O SEGREDO? Sabe Quem somos nós?
    Fico com muita vontade de partilhar as coisas que eu sempre soube. Tudo que eu desejei eu tive, tudo. Tive até deprê por falta de sonhos aos 29. Havia conquistado o que sonhara até então e me vi sem perspectivas.

  8. Agora retomei aos poucos as rédeas, vc sabe o quanto é complicado às vezes, acompanha lá no A vida em palavras, fora o que não difo por causa das censuras que o meu namoro complicado impunha.

    Estou mesmo leve. Emagreci. Por que a gente tem mania de achar que é pouco? Se continuarmos emagrecendo, um dia atigiremos as nossas metas. Cada 250 gramas equivale a um pote de margarina que tiramos do nosso corpo. E não é só beleza não. Não é só estética, não. É LEVEZA. É sorriso no rosto. É achar-se linda. Quilos a menos têm este efeito sim.
    Quero que vc ache sempre forças e mude este panorama em que se encontra, transforme os paradigmas, RECONSTRUA sua rotina sem se deixar atropelar.

  9. Eu não tinha tempo para almoçar durante vários anos da minha vida. Eu dormi em cima de provas vários anos na minha vida. Eu dormi pouco vários anos. Eu permiti a estressante rotina me atropelar. Até o dia que aprendi o poder do NÃO QUERO. Aí aliei ao EU POSSO e pronto! Sempre que estou passando por cima de mim e que começa a me machucar demais, em todos os sentidos, dou um STOP gigante, reavalio e tomo DECISÕES práticas. TRAÇO METAS, OBJETIVOS e COMPORTAMENTOS.
    Bem como deciso também o que mudar e o que abandonar.
    A gente só não pode desistir é de si mesma.

    Beijos

    Muito amor de mim para você.
    Acredito em sua força também.

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